A religião não garante um bom casamento?
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A importância da Igreja local para a famíli
O filósofo ateu Nietzsche foi um dos que mais influenciou o pensamento de Adolpho Hitler. Ele costuma repreender os cristãos dizendo: “Vocês me...
''Autoconhecimento é uma sadia introspecção"
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Frank Lauback (1884-1970), um desconhecido missionário que trabalhava numa remota região muçulmana das Filipinas, experimentou seguidamente a presença de Deus…
Nas férias da família em Janeiro na praia nos hospedamos na agradável pousada, nossa preferida em Santa Catarina. O seu dono, entristecido e aborrecido, disse-nos que ela estava à venda. O seu filho de vinte e poucos anos, que administrava o negócio, um jovem recém-casado, se divorciara e, saudoso do filhinho de um aninho, decidira abandonar tudo e regressar para o Rio Grande do Sul, para tentar a vida e ficar mais perto dele. “Casaram-se muito cedo” o pai afirmou. Todos vocês ouvem histórias parecidas. No último censo de 2010, o IBGE notou esse aumento expressivo na taxa de divórcios, que saltou de 1,2 no ano 2000 para 1,8 em 2010 para cada 1.000 habitantes. Veja abaixo:
Salientou-se também que 71,5% das separações e 52,2% dos divórcios foram requeridos pelas mulheres, em 2010. Nos divórcios de casais com filhos, 87,3% das mulheres acabam ficando com a guarda dos menores e 5,5% optam pela guarda compartilhada. 40,3% dos casais que se divorciaram em 2010 não tinham filhos. O tempo médio do casamento do brasileiro é de 16 anos.
Desde que foi permitido pela lei brasileira em 1984, o número de divórcios aumentou cerca de 200%, acelerando-se ainda mais com a sua alteração em 2007. Atualmente a lei permite que casais sem filhos possam solicitar administrativamente (e não mais judicialmente) a separação/divórcio. Obviamente, por milênios o casamento tem sido uma relação complexa, misteriosa e desafiadora, unindo pessoas com histórias de vida e personalidades diferentes, numa parceria de lutas e vitórias, com alegrias (divulgadas) e tristezas (geralmente escondidas e dissimuladas) num processo diário e constante de transformação, aceitação, perdão, paciência e amor, e assim por diante. Antigamente muitos optavam por não se divorciarem apesar do profundo sofrimento e, por razões diversas, lutavam e perseveravam debaixo do mesmo teto (nem sempre na mesma cama). A diferença hoje talvez seja a facilidade, a liquidez, o imediatismo, a fluidez, o individualismo e o egoísmo com que esta relação estabelecida por Deus para durar “até que a morte nos separe” é tratada.
Entre os evangélicos a história é lamentavelmente semelhante. A maioria está a favor do divórcio: 59% dos pentecostais e também dos evangélicos tradicionais expressaram a mesma opinião. Veja o gráfico abaixo do Instituto Datafolha, na pesquisa de 2007, cuja pergunta foi: “Você é a favor ou contra o divórcio?”
O Núcleo de Estudos da População da Unicamp cruzou os dados entre estado conjugal e religião e chegou a uma conclusão semelhante: a religião não garante um bom casamento. Por exemplo, o gráfico abaixo mostra claramente a similaridade entre o número de mulheres separadas, desquitadas ou divorciadas, dentro e fora da igreja, independentemente da religião. Em vermelho estão as mulheres separadas pela religiosidade (católicas, evangélicas, espíritas, etc…). Em azul estão as mulheres divorciadas de acordo com sua religiosidade (católicas, evangélicas, espíritas, etc…).
Como uma esponja seca jogada em um balde cheio de água suja, os cristãos tendem a absorver valores morais e assimilar convergências éticas e sociais da cultura ao redor. Assim a família cristã clona os costumes da família atual, imita os hábitos BBB e adapta-se ao estilo humanista de uma vida longe da vontade de Deus. É verdade que há testemunhos de casamentos restaurados em nossas igrejas. Ao mesmo tempo devemos avaliar com suspeitas a aceitação do divórcio entre a maioria dos evangélicos (enquanto o catolicismo tradicional o rejeita), a sua receptividade e incentivo bem como refletir sobre a necessidade do aconselhamento cristão quanto ao pós-divórcio e as possibilidade para um novo relacionamento em Cristo. I Crônicas 12:32. Em meio há dezenas de nomes e tribos, encontra-se uma referência valorosa a uma das tribos de Israel: os filhos de Issacar no tempo de Davi eram homens “conhecedores do seu tempo, para saberem o que Israel devia fazer”. Lutemos para ser uma família cristã que olhe para trás e diga: fiz o melhor que pude para compreender a minha época, procurei saber o que deveria ser feito e vivi de acordo com a Palavra de Deus.
A religião não garante um bom casamento?
Nas férias da família em Janeiro na praia nos hospedamos na agradável pousada, nossa preferida em Santa Catarina. O seu dono, entristecido e aborrecido, disse-nos que ela estava à venda. O seu filho de vinte e poucos anos, que administrava o negócio, um jovem recém-casado, se divorciara e, saudoso do filhinho de um aninho, decidira abandonar tudo e regressar para o Rio Grande do Sul, para tentar a vida e ficar mais perto dele. “Casaram-se muito cedo” o pai afirmou. Todos vocês ouvem histórias parecidas. No último censo de 2010, o IBGE notou esse aumento expressivo na taxa de divórcios, que saltou de 1,2 no ano 2000 para 1,8 em 2010 para cada 1.000 habitantes.
O filósofo ateu Nietzsche foi um dos que mais influenciou o pensamento de Adolpho Hitler. Ele costuma repreender os cristãos dizendo: “Vocês me dão enjôo!” Por que, lhe perguntavam. “Porque vocês, redimidos, não parecem que são redimidos”. Esta crítica tem acompanhado a história da igreja por séculos: os relacionamentos cristãos exalam mau cheiro. Há crentes que não olham para outros nos cultos e casais que não se dão com outros nos pequenos grupos. As famílias ficam ressentidas e magoadas quando seus pastores e líderes não aparecem na festa de aniversário ou no quarto do hospital; não perdoam umas as outras pelas palavras ásperas ou ríspidas e não se reconciliam por estarem repletas de orgulho. E todas frequentam a mesma igreja!
Jesus não disse que seus discípulos seriam conhecidos pelo amor (João 14)? Jesus ordena que amemos uns aos outros como Ele nos amou. Reconciliados com Deus e uns com os outros em Cristo, a igreja recebe o ministério da reconciliação (2 Co 5).
No Novo Testamento, a palavra grega para comunidade é koinonia, uma comunidade de homens e mulheres que creem em Jesus Cristo como Salvador e Senhor de suas vidas. Esta comunidade cristã é a nova humanidade. Em união com o Cristo ressurreto, ela compartilha de Sua vida e sua energia interior flui para dentro dela. Na união com Ele, concretizada pelo arrependimento e fé, os pecadores salvos pela graça de Deus são indissoluvelmente incorporados nesta comunidade, unidos ao corpo de Cristo. Ele é “o cabeça” (Ef 1:22).
Este corpo é único já que Cristo “destruiu a barreira, o muro de inimizade” (Ef 2:14) – não há mais judeus ou gentios, homens ou mulheres, escravos ou libertos. Todos em Cristo se tornaram um com Ele e com os outros. Os membros da igreja são espiritualmente um (Ef 4:1-6). De uma maneira bem simples, a igreja como corpo tem crentes em Cristo como seus membros. Isso é autenticado pela presença do Espírito Santo não apenas individualmente, mas na comunidade. A igreja dá prioridade a sua formação pelo Espírito como uma comunidade de discipulado mútuo e discernimento comunitário. Charles Van Engen escreve a respeito:
A nova presença de Jesus Cristo na comunhão de amor (koinonia) dos discípulos constitui a Igreja. Sem essa presença de Cristo, não há nenhuma Igreja. Como podemos esquecer com tanta facilidade que é somente no âmbito do amor do discípulo pelo Senhor e de um discípulo pelo outro que a Igreja tem alguma vida? O que Paulo afirmou em I Coríntios 13 vem a propósito: se a Igreja é una, santa, católica (universal) e apostólica, mas não tem amor, nada é. Servindo de base a tudo o mais, repousa o marco supremo do povo de Deus - o amor. Se a Igreja não for, em primeiro lugar, à comunidade de amor, a Palavra e o Sacramento são um esforço vão. Nessa “era entre as eras”, a Igreja deve mais uma vez ouvir a voz de seu Senhor (Engen, Povo Missionário, Povo de Deus, 1996).
Esta idéia de koinonia é fundamental para a nossa compreensão da igreja e família. Todo ministério, para que seja efetivo, requer uma demonstração da unidade antes que possa sequer falar de reconciliação ou participar de qualquer mediação significativa em conflitos. Como falar em resolução de conflitos se não sabemos lidar com nossas diferenças? O fracasso de muitas igrejas e famílias de alcançar igualdade entre seus membros e integração entre as classes sociais silencia a mensagem de paz social. Cada vez mais, as igrejas falam “da boca para fora” de sua unidade, mas se mostram como grupos etnocêntricos e ensimesmados, na realidade. Ajith Fernando, um respeitado líder e estudioso asiático, em sua exposição sobre Efésios 2:13-16 a respeito de como a cruz quebra as barreiras das diferenças e divisões, escreveu:
O preconceito tem sido um problema pois todos estamos embebidos dos preconceitos de nosso meio, onde se afirma ser um grupo superior a outro. Vindo de uma nação na qual a tensão étnica tem causado muito caos, posso dizer que, mesmo com respeito aos cristãos, os nossos preconceitos estão entre as últimas coisas que o processo de santificação toca. Os preconceitos podem dizer respeito à raça, classe, casta ou a outro destes fatores terrenos que não são significativos na visão de Deus. Aqueles que afirmam que não são preconceituosos são normalmente os mais preconceituosos. E algumas vezes, os que afirmam ser cristãos crentes na Bíblia são os mais anti-bíblicos com respeito a este assunto (Fernando, 1995, p. 198-199).
Como os crentes podem estar em unidade quando há uma série de razões para a diversidade? As igrejas, normalmente, estão divididas por causa de personalidade, cultura, denominacionalismo, doutrinas, etc. A imagem que Paulo tem da igreja reflete o mistério da “multiforme sabedoria de Deus”, e significa brilhante como as cores do arco-íris e variada como as múltiplas cores de um campo de flores (Ef 3:10). Ou seja, a unidade cristã deve ser baseada na diversidade. De outra maneira, se fosse sem diversidade, ela se tornaria uniformidade. A igreja tem muitas partes como um corpo, mas é um só corpo (1 Co 12). A unidade essencial dos crentes deve ser experimentada nos relacionamentos multi-classiais, multiculturais e interdenominacionais, como testemunho da Nova Criação em Cristo.
O lema de Agostinho foi adotado pela Assembléia da Aliança Evangélica Internacional em Nova Iorque, em 1783: In Necessariis Unitas; In Dubiis Libertas; In Omnibus Caritas. Isso pode ser traduzido como: nas questões essenciais, unidade; nas não-essenciais, liberdade; em todas as outras, caridade. Unidade nas experiências e cooperação funcional estão baseadas em um núcleo irredutível mínimo de crenças. Nossa intenção deve ser experimentar esta comunhão na igreja local e praticá-la com todas as nossas forças nos relacionamentos familiares.
A importância da Igreja local para a família
O filósofo ateu Nietzsche foi um dos que mais influenciou o pensamento de Adolpho Hitler. Ele costuma repreender os cristãos dizendo: “Vocês me dão enjôo!” Por que, lhe perguntavam. “Porque vocês, redimidos, não parecem que são redimidos”. Esta crítica tem acompanhado a história da igreja por séculos: os relacionamentos cristãos exalam mau cheiro. Há crentes que não olham para outros nos cultos e casais que não se dão com outros nos pequenos grupos. As famílias ficam ressentidas e magoadas quando seus pastores e líderes não aparecem na festa de aniversário ou no quarto do hospital; não perdoam umas as outras pelas palavras ásperas ou ríspidas e não se reconciliam por estarem repletas de orgulho. E todas frequentam a mesma igreja!